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sábado, 19 de agosto de 2006

Como se ensinar valores éticos?

Abril de 2006.

Devido ás noticia que vem de Brasília sobre mais um escândalo político, se tornou comum ouvir falar em Conselho de Ética. Política e escândalos a parte, vez por outra, nos deparamos, ou pelo menos ouvimos falar de Conselhos de Ética das mais diferentes profissões. Também ouvimos sobre códigos de ética, sendo o mais famoso o da Medicina.
Mas, então, o que seria a ética? O quê significaria essa palavra tão ouvida/ falada e que aparenta ser tão importante? Não existe um conceito definitivo sobre o quê é ética, mas uma definição que pode ajudar na busca pelo entendimento sobre a questão é que:
A ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens na sociedade. (...) a ética se ocupa de um objeto próprio: o setor da realidade humana que chamamos moral, constituído (...) por um tipo peculiar de fatos ou atos humanos. (...) A ética é a ciência da moral. (VAZQUEZ, 1995. p. 12 e13)
A ética está relacionada ao valor e ao sentido das práticas sociais e/ou profissionais realizadas. Diferentes pessoas que exercem uma mesma atividade profissional podem ter díspares valores morais, ou seja, seus julgamentos sobre o que é certo ou errado fazer no exercício da profissão podem ser conflitantes. Para evitar essas disparidades, que em para algumas carreiras existe os códigos de ética, que tem a função de sacramentar quais as posturas que devem ser seguidas, ou pelo menos são esperadas, por aqueles profissionais. A partir deste, a sociedade pode julgar se as condutas de determinado profissional foram de acordo com o que se almejava dele.
As palavras ética e moral costumam serem empregadas como sinônimos, porem seus significados dizem respeito á diferentes dimensões dos padrões de conduta. A moral rege as ações dos indivíduos nas diversas sociedades, já a ética é resultado da reflexão crítica sobre a moral.
A ética serve, portanto para verificar a coerência entre práticas e princípios, e questionar, reformular ou fundamentar os valores e as normas componentes de uma moral, sem ser em si mesma normativa. Entre a moral e a ética há um constante movimento, que vai da ação para a reflexão sobre se sentido e seus fundamentos, e da reflexão retorna á ação, revigorada e transformada. (BRASIL, 1998. p. 52 /53)
A moral está numa dimensão individual, em que os valores morais de uma pessoa não são necessariamente igual á de outra do seu convívio, e a ética se encontra numa dimensão coletiva, que atenda ás demandas da conduta do grupo. Por isso que algumas atitudes podem estar respaldadas por um código de ética, mas ser considerado imoral por algumas pessoas ou alguma conduta ser contrário á um código de ética, mas ser justificada pela moral.
A sociedade educa moralmente seus integrantes, através de instituições sociais como a família, o grupo social (igreja, vizinhança,...) e, claro, a escola. Apesar de não ser a única instituição social responsável por transmitir os códigos de conduta, a escola não pode fugir de sua participação na formação de cidadãos éticos. Mas como os estabelecimentos de ensino podem alcançar este objetivo?
Visando dar um direcionamento ao trabalho pedagógico com a finalidade de se trabalhar as regras de conduta em sociedade, os Parâmetros Curriculares Nacionais (o famoso PCN) trouxe como um dos temas transversais a ética. O citado texto do PCN traz diretrizes de como se trabalhar o tema dos valores éticos no ambiente escolar, mas não de forma definitiva e estanque. Mesmo por que, como diz o próprio texto é impossível ensinar a moralidade. (ibid id, p. 75.) Não se ensina valores de conduta com aulas sobre como ser ético, em que o aluno deve decorar as regras de como se comportar e o quê são proibidos.
O desafio de promover uma educação em valores consiste em desenvolver um trabalho pedagógico que auxilie o educando a tomar consciência da presença dos valores em seu comportamento e em sua relação com os outros, participando do processo de construção e problematização desses valores, num movimento de afirmação da autonomia. (ibid id, p. 75) Uma educação em valores deve se dar através da vivência no cotidiano escolar, em um processo de construção em que os alunos reflitam suas ações e as de seus pares sociais, e a partir daí, definir quais atitudes são mais cabíveis para cada caso. Não adianta repetir normas já prontas pra os estudantes, pois estas devem ser construídas pelo grupo. A construção de regras para a sala-de-aula, os famosos combinados, em que o professor em conjunto com os alunos elabora, discute e define quais as regras que devem ser postas em prática é um exemplo de boa forma de começar desde as séries iniciais trabalhar regras, condutas e valores. Sendo necessário posteriores revisões dessas regras para verificar se estão sendo cumpridas ou ser ainda estão sendo válidas. Nos debates de elaboração e revisão, os estudantes são convidados á refletir sobre o seu comportamento e dos colegas. A partir de discussões sobre situações do cotidiano escolar e da sociedade onde aquele grupo está inserido que o trabalho com valores fundamentalmente deve ser feito. Por exemplo, os estudantes devem preservar o mobiliário escolar, sendo que essa atitude não ser evitando punição como suspensão, mas devido a tomada de consciência que a quebra do mobiliário prejudica e priva aqueles que o utilizam. Preservar o silêncio e a tranqüilidade na sala, não temendo ser expulso de classe, mas devido à consciência que o um ambiente calmo favorece a aprendizagem daqueles colegas que ali estão querendo assistir aula. A postura ética do professor e dos atores que atuam nas escolas é mais educativa que as regras ditadas. O indivíduo aprende sobre valores como respeito e tolerância, quando as pessoas o respeitam e tem tolerância por ele. O exemplo fala mais alto que as palavras e por isso aqueles que atuam na formação de pessoas sempre devem refletir sobre suas ações e palavras, se estão sendo condizentes com seu discurso.

Referências bibliográficas
BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos: apresentação dos temas transversais. Brasília: MEC/SEF, 1998.VAZQUEZ, Adolfo Sanchez. Ética. 15º edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1995.

5 comentários:

Norberto Tavares disse...

Olá Vanessa, meio chinesa, 100% italiana! Gostei de seu artigo, estou tentando "ensinar" algo que, por ser do currículo entitularam "ética", mas, em nosso País, me parece como a igualdade apregoada em nossa Constituição.
Grato, até mais.

bruno disse...

olá vanessa!

sou um professor de informática e ministro minhas aulas via apostiula on-line!

e gostaria de colocar mais interatividade em minhas aulas e, assim ganhar mais a atenção de meus alunos!

dou aula a pouco tempo e tenho me envolvido bastante nesse caminho!

gostaria de melhorar as aulas para meus alunos! E se você puder gostaria de trocar umas idéias sobre powtura em sala de aula, algumas dicas também a respeito de melhorar o contato com meus alunos!

se vocÊ puder me ajudar ficarei grato!

Bruno

Geni disse...

Meu comentário é sobre os comentários. Fico assustada quando constato tantos erros ortográficos. E não venham me dizer que são erros decorrentes de digitação.

Thaigo disse...

Artigo bastante bacana Vanessa! Definitivamente está ocorrendo um maior interesse pelo ensino de ética... Mas como fazê-lo? é uma boa pergunta.. e talvez tenha umas dezenas de respostas.. enfim, o que estou achando bacana é ver iniciativas nesse sentido, de, pelo menos, ampliar a discussão sobre ética, principalmente a ética aplicada. Um evento bacana, que pude presenciar, foi um seminário na Faculdade de Medicina da UFMG, cujo título era: "Ética: É possível Ensinar?", realizado pela recem nascida Liga de Ética daquela faculdade.
Convido você e os demais leitores a conhecer um pouco mais esse projeto, que já está se consolidando, no site deles: http://ligadeetica.org!
Abraços!

Anônimo disse...

o que eu estava procurando, obrigado