Desde 2006 servindo algumas lasanhas e muitas abobrinhas.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

SMS

Nem eram 7h, quando o toque de SMS de meu celular me acordou.

"Férias acabando... hoje é o último dia... Que chato!"

Chato é receber uma mensagem de manhã cedo com esse conteúdo.
Aquela estraga-prazer!

domingo, 6 de novembro de 2011

s, o, so

s, o, so
soluço
solução

s, o, so
sorvete
sonho
sonífero
sótão

s,o, so
Soraia
solene
solvente
soltam

s, o, so
so
so
so

domingo, 30 de outubro de 2011

Maior e Pequeno


-Eu caí! Tô toda ralada! – alguém atrás de mim gritou.

Estava no banheiro de um shopping, lavando as mãos, quando ouvi o lamento choroso. Olhei em direção da voz. Aparentava ter uns 25 anos e estava com dois meninos, aparentando respectivamente 1 e 2 anos. Estava com uma das pernas da calça de strecht puxada até acima do joelho sangrando, que tentava lavar com as mãos em conchinha. Percebi que um dos seus braços também estava ferido.

-Olha só prá isso! Oh, moça, me ajude!

-Nossa! Como foi isso? – uma senhora, mais solícita que eu, aproximou-se.

- Esses meninos, moça... Eu tava subindo a escada rolante segurando a mão do Pequeno, quando vi que o Maior havia ficado prá trás. Corri na escada e peguei o menino, mas ai eu vi que o Pequeno ficou sozinho, quando corri prá pegar, eu cai. Nem sei como foi! Quando vi, tava no chão com os degraus da escada raspando meu joelho.

-E os meninos? – perguntava a senhora procurando band-aid na bolsa.

Resolvi também ajudar e passei a procurar curativos também na minha bolsa.

- A sorte foi que um senhor pegou os meninos e me ajudou a levantar.

- Nenhum segurança viu? – perguntei.

-Acho que não. Senti tanta vergonha!

Estávamos tão concentradas ouvindo e procurando curativos que, pelo menos eu, já havia até esquecido que os meninos estavam lá. Quando ouvi a voz de outra mulher:

-De quem é esse menino que está escalando a pia? Olhem seus filhos!

Era o Maior que estava já praticamente em cima da pia. A mãe correu para pegá-lo, mas logo percebeu que o Pequeno não estava por perto. Ela largou o menino e saiu do banheiro gritando:

-Meu bebê! Meu Pequeno sumiu! Meu filhooooo...

O Maior bem que quis correr atrás da mãe, mas a senhora que estava ajudando a moça anteriormente o segurou.

-Esse menino vai acabar se perdendo também. É melhor segura-lo, que ela não aparenta estar muito bem, não.

Do banheiro se ouvia a gritaria da mulher do lado de fora.

Deu-me um clique e procurei o Pequeno dentro das cabines do sanitário. Dito e certo! No terceiro encontrei-o com a mãozinha mexendo na água do vaso. Levei-o pela (outra) mão para a parte das pias onde estava o Maior.

E ficamos eu e a senhora com o Maior e o Pequeno, pensando no que fazer.

Entrou a mãe acompanhada de um segurança e uma funcionária que aparentava ser da limpeza.

- Eles estão aqui! –a mãe gritou. – O meu Deus! Eu estou passando por tratamento de depressão, minha mãe está internada, o pai das crianças...

- Se acalme senhora! – falou o segurança. – Agora vamos lá na enfermaria.

A funcionária de uma vez só pegou cada menino num braço.

-Deixa que eu levo essas crianças para que a senhora não perder esses meninos de novo.

E assim saíram do banheiro.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

11 de setembro de 2001

Acordei já tarde. Provavelmente o despertador tocou, eu o desliguei e voltei a dormir como de costume.

Tinha consulta marcada para as 8h. Lembro que voei da cama para o banheiro e de lá para a rua. Se eu não me engano, assim que cheguei no ponto, o ônibus passou. Cheguei em cima da hora da consulta. No retorno, o ônibus já estava no ponto e tive que sair correndo e gritando para conseguir alcançá-lo.

Cheguei, nem sei se tomei outro banho, mas fui dormir.

Acordei lembrando que ainda não havia comido nada naquela manhã. Logo eu, que sinto tonturas só em pensar de passar da hora de comer. Foi a correria ao acordar!

Fiz café e tomei com um pão com geléia. Li um pouco e voltei a dormir por cima do livro. Eu costumava acordar por volta das 9h. Se acordasse um pouco mais cedo que isso, era motivo prá passar o dia sonolenta. Minha única ocupação era a faculdade que fazia de noite.

Engraçado, eu sempre fui daquelas pessoas que acordam ou chegam e casa e ligam logo a TV. E nem sou de dormir desse jeito! Mas aquela manhã também não tinha nada de anormal. Estava destinado para ser um daqueles inúmeros dias, sem contratempos, que logo esquecemos.

O telefone tocou, me acordando. Era minha mãe:

- O que está acontecendo no World Trade Center?

- Como é que é?

- Nas Twin Towers.

-Ãhn?

-Você não ta com a TV ligada, não? Tão dizendo aqui no trabalho que está havendo algo nas Twin Towers.

- O que é “Djuin tauers”? – Eu não sabia nem que era eu, acordada com essa ansiedade toda, imaginem...

- Em Nova Iorque. Liga a TV, Vanessa!

Liguei. Vi os prédios saindo fumaça.

- Ta tendo um incên...

Quando vi as imagens da primeira e depois a segunda torre caindo, eu cai no chão de susto! Deviam ser imagens recapturadas do que já havia ocorrido.

-O que foi? O que foi Vanessa?

Eu fiquei zonza.

-Caíram, mãe! Os prédios do World Trade Center caíram. As duas!

Não desliguei mais da TV naquele dia. Lembro de um dos repórteres decretar:

-A partir de hoje, o mundo nunca mais será o mesmo!

Lembrei que dois anos antes estive em Nova Iorque e usava as torres do World Trade Center como ponto de referência. Não sei quem nunca as viu de perto, tem noção do tamanho que aqueles prédios tinham.

Na faculdade, não houve outro assunto. Por mais que parecesse tão longe de nós, não impedia uma certa tensão.

Dez anos estão fazendo desde o ato terrorista de 11 de setembro de 2001. Em canais fechados há vários programas relembrando a data. Tornou-se um daqueles: “o que você estava fazendo no dia...”.

Devido ao ocorrido, gravou-se na minha memória aquele dia que prometia ser tão banal.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O ônibus

Já chegou ao ponto de ônibus ansiosa. Olhou o relógio. Olhou um lado da rua. Na outra direção também por hábito. No outro lado da rua passava um ônibus que também passava em seu destino, mas o trajeto era tão demorado! O desse lado de cá é bem mais rápido.

Está vindo um. Será ele? Não é. Olha o relógio. Pessoas correm para subirem no ônibus. E ela fica.

Minutos se passam. Uma criança chora perto, mas não vira o rosto para ver. Aperta a bolsa com o braço contra o corpo. Olha o relógio.

No ponto em frente, o ônibus de percurso maior. Quase vazio. Será que deveria atravessar e pegar ele. O ônibus começa a andar. Ai, devia ter pegado esse mesmo! E se o outro demorar? O ônibus vira uma esquina. Devia ter pegado esse mesmo!

Não se ouve mais o choro. Adolescentes passam rindo. Outro ônibus chega, mas não é ainda o seu. Olha o relógio.

Pessoas chegam, pessoas pegam suas conduções e ela ali esperando. Olha na direção em que o ônibus que espera, devia vim. Nada! Só carros e motos.

Pensando bem, aquele outro ônibus nem tem o percurso tão maior assim. A diferença deve ser de uns dez minutos. Melhor que ficar esperando no ponto.

Atravessa a rua de duas mãos com dificuldade, devido ao trafego de carros. Pronto! Logo estará à caminho de seu destino!

Quando olha para o outro lado da rua, mal acredita em ver o ônibus do percurso menor. Tenta atravessar, mas nenhum motorista se sensibiliza em deixá-la passar. O ônibus segue o seu caminho, deixando-a ali: parada no ponto.