Desde 2006 servindo algumas lasanhas e muitas abobrinhas.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Por volta das 7 da manhã


Acabou se maquiando excessivamente na tentativa que não percebessem seu estado de espírito. Se desconfiassem de alguma coisa, diria que achava que tava ficando gripada. E se perguntassem por Rafa, diria que, diria... Percebeu que não sabia o que responder caso lhe perguntassem.

O cheiro de café recém passado ao invés de lhe animar, dessa vez lhe embrulhou o estômago. Será a marca nova? Não, não havia ainda aberto a nova embalagem. Derramou o líquido escuro na pia. Se sentisse fome, desceria até a cantina.

Novamente conferiu sua roupa. Queria estar mais bonita que nunca, como compensação. Mas não queria levantar suspeitas, parecer diferente. Ela, que sempre reclamava de sua rotina, naquela manhã queria que sua vida continuasse a mesma.

Onde estaria Rafa àquela hora?

Conferiu sua bolsa mais uma vez, mas ao fechar a porta, sentiu que faltava algo. Olhou a bolsa de novo. Chaves, documentos, dinheiro, celular, maquiagem, agenda. O que esquecia, Deus?

Quando engatou a segunda marcha, que as lágrimas começaram a cair. No som, Chico. O ar gelado. E o assento do carona dolorasamente vazio.

9 comentários:

Maite Lemos disse...

Interessante como um fragmento de história pode deixar a gente arrepiada...
Cada vez gosto mais :)
bjnho

Diego Janjão disse...

minha vida baseava se em sempre o banco ao lado vazio, no carro, no cinema, no sofá...

vida assim é de descer lágrimas mesmo!

Lívia Lunardi disse...

Lindoooo! Adorei!

Me emocionou... de verdade!
Parabéns...
quero ler mais contos seus nesse estilo!

Se puder, passa lá no meu blog que tem post novo! =)
http://www.caminhandoentrepanos.blogspot.com/

bjõeesss

adenilson disse...

parabens pela riqueza d detalhes *-*
ótimo....e aplaudi...
o//
abraço
boa semana
e feliz dia do monitor LCD de 14,5 polegadas e meia!

Garotinha Jê disse...

separações são sempre traumáticas...
e sempre fica o vazio.

gostei do último conto, e deste também.
você não vai terminar Jogo da Verdade?
estou anciosa...

beijos!

Kelly Christi disse...

Obrigada pela visita no lbog, tem mais postagens novas...
qto ao seu texto, tem tudo a ver na busca por si mesmo numa cidade grande qualquer, eu adoro textos assim...

bjitos

Kelly Christi disse...

eu tbm escrevo, vou linkar seu blog pq lermos os textos uma da outra pode ser produtivo, certo?rs

fuiz

Larissa Bohnenberger disse...

O fim é sempre doloroso!
Lindo texto!
Bjs!

Ana Paula Moreto disse...

Adorei o texto, gostei bastante, com detalhes e, que empressionam muito!
Parábéns! Vou te seguir! :)