Desde 2006 servindo algumas lasanhas e muitas abobrinhas.

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sexta-feira, 20 de abril de 2007

Loucura, loucura, loucura!

Balada_do_Louco
(Composição: Arnaldo Baptista / Rita Lee)
Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Se eles são bonitos, sou Alain Delon
Se eles são famosos, sou Napoleão
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu
Se eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito, eu já estou no céu
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu
Sim sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, eu sou feliz

Neste 50º post do "Lasanha deAbobrinha" começarei a tratar sobre os assuntos sugeridos pelos leitores. O primeiro será "loucura".

Louco de amor, louco de fome, louco de tanto trabalhar, loucos por carro, loucos por futebol... Tá todo mundo louco! Mas o que é a loucura? Segundo a Wikipédia: "A loucura ou insânia é uma condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados "anormais" pela sociedade. É resultado de doença mental, quando não é classificada como a própria doença. A verdadeira constatação da insanidade mental de um indivíduo só pode ser feita por especialistas em psiquiatria médica." Ou seja, só um profissional especializado pode diagnosticar uma doença mental.

Me lembro claramente de que quando era pequena, minha avó me ameaçava dizendo que o "maluco" ia me pegar caso não me comportasse quando saia com ela. E me parecia que em cada canto de Salvador havia um "maluco" pra me pegar. Eu sentia um medo! Só sei que sempre me comportei muito bem... Hoje percebo que muitos daqueles malucos eram na verdade alcoolátras ou mendigos. Mas eram todas pessoas que eu não conhecia.

Até que quando eu tinha uns 9 anos vi a empregada doméstica de um apartamento do mesmo conjunto habitacional que eu morava, pessoa que conhecia pois trabalha num prédio próximo ao que eu morava, sendo dando um surto! Ela gritava e tentava bater em todos, até que foi dominada por três homens. Lembro de uma pessoa perto de mim, enquanto assistíamos ao acontecido, falar à outra que já haviam chamado o carro pra levá-la ao manicômio. Eu não sei se foi a primeira vez que ouvi essa palavra, mas posteriormente toda vez que ouvi/li "manicômio" me lembro desse evento.

Claro que nem todos têm esses surtos violentos! No bairro que moro há anos via um senhor com cerca de cinquenta anos que arrastando um saco enorme, anotava em vários papéis as placas dos carros que via. Uma vez, testemunhei ele anotando placa por placa de todos os carros que estavam defronte um condomínio, cerca de 12 automóveis. A história que soube é que após muito esforço aquele homem havia conseguido comprar um carro... que depois foi roubado. Então, ele passou a procurar seu carro, comparando as placas. Assim como há outros(as). Acredito que cada um conheça uma pessoa que sofre de problemas mentais e circula pelas ruas de sua cidade.

Outros viram verdadeiras personalidades. No centro de Salvador, há e por muitos anos, perambulou uma figura conhecida como "A Mulher de Roxo". Como o apelido já entrega, ela se vestia completamente de roxo, da cabeça aos pés. Até um filme foi feito com as várias versões para aquela senhora ter chegado àquele estágio, desde que havia sido uma noiva largada no altar até que era a cafetina de um bordel que incendiou. A verdade, nunca se soube!

Cortar um pedaço da própria orelha esquerda e oferecer o pedaço cortado à uma prostituta, embrulhado em um pedaço de jornal pode ser considerado um sinal de loucura? Pelo menos é um comportamento anormal... Pois o autor desse quadro que hoje ilustra meu blog fez isso. Como muitos devem saber, esse homem foi Van Gogh. Esse quadro é um auto-retrato, feito depois que o artista cortou a sua orelha. O pintor apesar de ter enfrentado algumas problemas mentais, estes não impediram sua produção artística. Quem quiser ler um pouco sobre Van Gogh, já sabe! Clique aqui.

A loucura (alheia, óbvio!)possui um carater fascinante que foi retratado nas diversas artes. Quem não leu "O_Alienista" de Machado de Assis deixou de ler um conto muito divertido e inteligente sobre o tema. (Na verdade, toda a obra do autor é imperdível!) Quem quiser conferir uma mostra de quadros influenciados por esse tema, visite este_site. Eu achei bem interessante!

Na verdade a sugestão para o post era que fosse uma poesia sobre a loucura. Mas infelizmente eu sou sei fazer poesia do tipo que rima "chão" com "mão", "panela" com "janela". De início, não estava muito animada em fazer poesia, porque além de ser uma poetisa sem-talento, também sou exigente! A poesia tem que refletir meu estado de espírito e eu vivo na ilusão que sou perfeitamente normal, inclusive a nível mental. Porém, como também não gostaria de deixar esse desafio pela metade, aí vai:

Batatinha quando nasce não se esparrama pelo chão.

E quem foi quem inventou essa história da menina com a mão no coração?

Me falaram que a batata é uma raiz e antes de dormir a menina assoa o nariz.

Isso é uma poesia encomendada sobre a loucura e quem duvidar que vá comer farinha pura!

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Temas sugeridos pra futuros posts.

Bem, aqui estou eu cumprindo com minha parte do desafio de Wagner, do Blá-Bláismo ... Acontece que há um tempo atrás ele lançou um desafio em que deveriam enviar temas pra ele. Confesso que quando li, eu nem ia mandar... Era madrugada e eu estava com sono... Mas acontece que ele me convocou nominalmente!!! Na falta de criatividade, sugerir "lasanha". (Pq será?)
O tal desafio tinha uma segunda parte, em que quando ele tratasse do tema sugerido, a pessoa que enviou o tema deveria fazer o mesmo desafio em seu próprio blog. Pois dia 13/04 ele abordou o tema "lasanha", junto com bolo. Cumprindo minha parte, solicitei que me enviassem temas até hoje, dia do aniversário de monteiro Lobato.
Os temas e seus autores (com devidos links) são:
pk_ninguém → poesia sobre a loucura (ai, tem que ser uma poesia, mesmo?)
*lana* → o livro "A chave do tamanho" de Monteiro Lobato (nunca li, mas vamos lá!)
wagner → amor à distância (nem precisou dizer que ele queria um conto)
a.j.martins → ferrovia (hum! Interessante!)
rodrigo → Bunda-molismo brasileiro (conversa muito engraçada à respeito via msn)
gui → amor (mesmo tema praticamente de Wagner)
silêncio_de_chumbo → Iguais mas diferentes (Tbm mto interessante!)

Os outros comentários não tinham temas sugeridos. Prometo que cumprirei e tratarei de todos esses assunto no menos tempo possível!

sexta-feira, 13 de abril de 2007

O conto do desafio -> Roda-gigante

(Esse post é de 16/04/07. Dia 13/04/07 foi o dia que comecei a escrevê-lo!)
Há alguns posts atrás pedir que me mandassem palavras pra que eu inserisse num conto que eu viria a escrever. Pois bem, ai está o conto! Realmente as palavras propostas que me levaram a história. Espero que gostem!
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RODA-GIGANTE
Saiu andando pela rua que foi testemunha de sua infância e adolescência, tendo apenas o som do seu salto de seu sapato de couro de avestruz batendo no pavimento como companhia. Quando passava pelas casas, via luz acesa e sons de conversas ou da televisão. Reconheceu a voz de uma atriz famosa e percebeu que a novela das nove já havia começado.
Ainda não se sentia pronta pra regressar para casa. Sentia que antes necessitava de fazer uma espécie de higiene mental do jantar que havia acabado de participar. Seguiu até a Praça Belina. A medida que chegava, o movimento de pessoas aumentava. Se percebia que as jovens estavam vestindo sua melhor roupa, cabelos escovados ou com creme, saltos altos. Os rapazes também andavam em grupos, tênis novos. Além disso, senhoras sentadas em cadeiras do lado de fora de suas casas ou de amigas, observava o movimento. Haviam lhe falado que mais tarde haveria o show de uma banda de forró que estava fazendo algum sucesso, na Praça 8 de Março. Era festa da Santa Padroeira da cidade. Uma festa religiosa que havia se tornado profana, como todas as outras.
De longe se ouvia os gritos e risadas das crianças vindo do parque montado pra a festa. Barco viking, carrinho de bate-bate, tiro ao alvo era alguns dos brinquedos que estavam montados. Mas o brinquedo que lhe chamou atenção foi a roda-gigante montada no outro lado da praça. Lembrou-se de quando pela primeira vez esteve numa roda-gigante, naquela mesma praça, muitas festas da Padroeira atras. Não queria ficar andando a esmo, principalmente porque seu espírito não era exatamente de festa. Se dirigiu até a pequena construção de tábuas, que fazia as vezes de caixa e comprou 1 ingresso, dirigindo-se então a fila da roda-gigante.
Enquanto aguardava sua vez, percebeu que algumas pessoas a olhavam. Talvez fosse por causa da sua roupa: um tailer preto com sapatos altíssimos de couro de avestruz. Talvez porque vagamente a reconheciam.
Fechou os olhos quando o brinquedo começou a se mover e por um décimo de segundo sentiu-se novamente com seis anos. Abriu os olhos e a cidade se distaciava, ao mesmo tempo que se tornava bela. Do alto se via toda a cidade iluminada. Mas do alto é como se ela não estivesse lá e aquele local era apenas mais uma lembrança.
Pensou se engraçado como guardamos de forma meio dourada as boas lembranças da infância, como se nunca tivesse caido e ralado os joelhos. Não eram lembranças contínuas, eram flashs: a avó com um véu de renda rezando na igreja, os canários de tio Pacheco fazendo uma alegre algazarra no grande viveiro que ocupava mais da metade do quintal, o cheiro e o barulho da cebola fritando quando Dorinha fazia o detestado fígado acebolado, a farda da escola com a gola engomada com capricho pela mãe, o tique do avô de cofiar a farta barba nas mais diversas situações, o biscoito de goma feito pela avó com a parte de baixo ainda com resquícios de farinha de trigo, brincadeira na rua, o primeiro namoradinho e as poesias que fazia pensando nele...
Tudo aquilo passado naquela cidade em que a rodoviária só funcionava entre às 6 h e às 22 h.
Porém chegou o dia em que abriu as asas e foi fazer faculdade na capital, há 200 km. E esse dia aconteceu há 12 anos atrás. Os pais esperavam que a filha fizesse medicina e voltasse a sua cidade natal pra clinicar. Ela desistiu de medicina quando se deparou com a primeira aula de anatomia e acabou se formando em direito, não voltando mais a morar naquela pequena cidade.
Os pais nunca aceitaram... No fundo esperavam que essa história de faculdade fosse apenas um capricho e que logo a filha retornaria pra se casar e morar na casa que o pai planejava construir em cima da sua, ficando ali à dispor pra cuidar deles na velhice. Quando ela finalmente confirmou que não pretendia voltar àquela cidade, pois morar na capital seria melhor pra sua carreira, foi chamda pelo pai de narcisista.
Prá completar, ela havia se casado com um saxofonista que a conta bancária era inversamente proporcional ao talento, e olha que ele era considerado um dos melhores do estado... Ela não se incomodava em pagar todas as despesas de casa, pois o que importava era o grande companheiro atencioso, culto e bem-humorado que ele era. Principalmente era um pai excepicional, que conseguia suprir o tempo que muitas vezes ela não conseguia ter com sua filha, abarrotada de processos pra estudar. Mas nada disso importava aos pais dela, que o chamavam de "cafetão", o que a fazia pensar que a chamavam de prostituta.
Ela resentia de seu relacionameto com seus pais se dar de forma tão fria. Ela entendia que a melhor forma que teria pra cuidar deles quando estes necessitassem era lutando pra ter recursos pra isso, pra poder contratar ajuda especializada. Não que iria envia-lós a um asilo, pelo contrário, gostaria que eles fossem morar na capital numa casa junto a dela. Em sua mesa de trabalho, entre papéis, canetas, grapeador e porta-trecos, havia um porta-retrato com uma foto de quando tinha dez anos numa praia com os pais. As vezes olhava e seu coração doia de saudade.
Porém quando ia visitar os pais, como naquele dia, o clima não era ameno. Naquele jantar, sob o lombo assado que perfumava a sala, críticas ao marido que há muito havia desistido de ir ver os sogros, a filha que ela preferia deixar em casa com o pai pra não presenciar os avós criticando o pai e notícias enfeitadas das amigas de infância que haviam ficado na cidade, todas muito bem-casadas com "homens com futuro", cuidando dos filhos perto da família.
Depois dessas ocasiões, ela realmente precisava espairecer, pra não levar pra estrada em direção a sua casa a mágoa de os pais não entenderem as suas razões, apesar dela entender as deles. Porém, ela avaliava que seria infeliz se vivesse como eles desejam ao invés de fazer suas próprias escolhas. O preço que ela pagava por isso era dolorido, mas necessário, pois não podia deixar de vê-los.
E nesses pensamentos e lembranças se deixava levar pela roda-gigante, sentindo o vento frio no rosto e a vendo a cidade toda iluminada.
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Prá quem leu o conto, um prêmio!
Bem, eu enviei um tema à Wagner e agora tenho que fazer o mesmo desafio aqui... Sim, outro! Pois bem: Peço que àqueles que comentem aqui, sugiram um tema que poderei tratar sob forma de conto, poesia, ensaio, sei lá (decido conforme a inspiração e o tema)...
Prazo: 18 de abril, dia do aniversário de Monteiro Lobato.
Aaaaaaah! Por falar em aniversário, dia 17 de abril é o meu! Isto mesmo, estou fazendo 27 anos!!! Quer idade mais ROCK???