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quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Auto da Aula Magna.

Em um ensolarado domingo, retornava para casa, quando vi um outdoor anunciando uma aula magna com Ariano Suassuna em Salvador. “Tenho que ir, custe o valor que custar o ingresso!!!” Uma rápida pesquisa pela web e descubro que era apenas para professores, alunos e convidados de uma faculdade particular. Bem, eu não sou professora nem aluna da faculdade... Como poderia me tornar então convidada??? Eu preferia que fosse logo pago e bem caro do que apenas para convidados, que assim pelo menos teria uma chance de poder ir. Eu não acreditava que perderia essa chance...

Mas não perdi! Tanto chorei e me lamentei aos quatro ventos que acabei conseguindo aos 42 minutos do segundo tempo que meu nome entrasse na lista de convidados. Se eu já falava muito sobre o assunto antes de saber que iria, imagina depois! Não tinha outro assunto para mim! Meu disco arranhou no “eu vou ver Ariano Suassuna” que eu não saia disso! Agora, era só esperar o grande momento!

Vocês acreditam que até engraxei pessoalmente meu sapato especialmente para o evento? Pra quem me conhece, sabe que isso é um feito quase que inacreditável! Munida de meu livro- tijolo de quase 800 páginas “(...)A Pedra do Reino(...)” (quem sabe não conseguiria que fosse autografado) e vestindo uma roupa de “ir ver Deus” fui trabalhar para no anoitecer ir pro hotel onde seria a aula magna.

Duas horas antes do evento cheguei ao hotel descabelada e suada. Se eu não estivesse bem vestida, o segurança da portaria do hotel (que é caríssimo) seria capaz de me proibir de entrar. Mas também depois de um dia de trabalho e de ter andado até o hotel que fica na orla e àquele horário ventava muito, como poderia ter chegado. Mas nada que uma passadinha no ‘toilet’ (nesses lugares até o som das descargas são em francês) não tivesse resolvido! Me informei onde seria e me posicionei na “ante-sala” estrategicamente em um local onde pudesse a menor chance sair correndo para ocupar a primeira fileira de cadeiras. Fã é não ter muita compostura, mas até que eu tava mantendo a pose!

Quando vi um grupo de pessoas se dirigindo ao andar superior onde seria o evento, fui junto, óbvio! O auditório estava fechado e se ouvia gritos estridentes do ensaio da homenagem ao escritor. Eu achei isso meio inusitado, mas tudo bem! As notícias eram que o auditório, que era chamado de “Salão”, tinha capacidade para 1500 pessoas porém 3500 pessoas se inscreveram... Decidir ficar plantada em frente à porta para quando essa se abrisse, eu pudesse logo entrar. Porém veio uma funcionária que com uma conversa muito mansa, tentava convencer de que descêssemos para esperar na “ante-sala”. Fazer o que? Tive que ir!

Pediram-me que apresentasse o convite. Que convite? Ain... E meu nome não constava na lista de convidados. Senti todos me chamando de “penetra” com o olhar. Ligações e ansiedade. Enquanto isso via as pessoas assinando suas listas e fazendo um fila enooooooorme para poder subir. Vinte minutos depois a lista com meu nome chegou. Esses 20 minutos pareceram 2 horas. Mas felizmente foi diretamente conduzida pelo elevador pra o andar superior e pude, antes de todas as pessoas da fila, entrar no Salão. Só havia umas 10 pessoas, fora quem estava trabalhando no evento. Sentei-me na quarta fila, já que as três primeiras já estavam reservadas.

Já estava respirando tranquilamente quando vejo Ariano Suassuna entrar cercado por uma senhora e três homens engravatados e sentar na primeira fileira. Quase tive um cuti-fiu por causa de um homem de 80 anos de idade! Peguei meu livro e minha Bic e fiquei naquele impasse “vou-ou-não-vou”. Levantei com meu livro na mão e o cara em frente ao escritor fez uma cena de nem venha (eu devia estar com uma cara de psicopata).
- É rapidinho! É só pra pedir um autógrafo no meu livro! – sussurrei-lhe mostrando a capa do livro. O cara concordou e fui tremendo mais que vara verde.
- O senhor poderia me dar o prazer de autografar meu livro? – disse já entregando o livro e a caneta.
- Qual o seu nome?
- Ãhn?! (Sim, eu sou uma idiota.)
- Qual o seu nome?
- Vanessa.
Eu tremia! No fim, com um sorriso de orelha à orelha, agradeci emocionada.

De volta a minha cadeira, enquanto contemplava milhares de vezes meu autógrafo, via pessoas indo falar, abraçar, tirar foto e etc. Autógrafo em livro mesmo, só mais um ou dois. Era um tal de pipocar flash na cara do Suassuna que não tinha fim.

Finalmente começou e com a apresentação de um trecho da peça “Uma mulher vestida de sol”. Ah! Entendi o porquê dos gritos! No fim, a atriz se dirigiu ao escritor e o conduziu à frente do palco. A mesa de honra foi composta, uma professora puxou o grito de guerra da faculdade e de cada curso, a mesa foi desfeita e ufa... começou a aula magna!

Com o humor fino, usando de ironia e demonstrando uma memória impressionante, Suassuna mais uma vez fez a defesa da cultura popular brasileira. Eu, maravilhada, solvia cada exemplo e história contada. Nem me atrevo à tentar reproduzia aqui, pois minha memória não é tão detalhista. Só posso dizer que foi maravilhoso e se puderem, não perca a chance de assistir a uma palestra / aula magna dele. Quando terminou, ficou a sensação que foi muito pouco.

Continuaram as homenagens: dois estudantes da faculdade tentaram recitar de cor duas poesias do autor, sendo que o primeiro ainda levou a cola e levava uns bons 3 segundos pra se achar e a segunda foi sem cola e esqueceu, recomeçou, esqueceu, Suassuna foi dando as deixas, ela sem captar e por fim o próprio Suassuna acabou terminando de recitar a poesia. A estudante, claro, teve uma crise de choro. Se até eu fiquei morta de vergonha, imagina a própria... Elegantemente, Suassuna tomou o microfone e justificou que sua poesia é realmente difícil, explicou o queria dizer a poesia e disse que a culpa da menina ter feito aquele papelão era dele. Ele é um fofo! Por fim, um professor da faculdade leu uma poesia do autor e recitou por uns 8 minutos outra dele próprio. Finalmente entregaram uma placa ao escritor e o evento estava encerrado.

Ain... quero de novo!

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Entrei de gaiata na Fnac - o dia que conheci os Paralamas.

28/06/07. Às 17 h finalmente cheguei a Fnac da Paulista. Depois de nervosamente pedir informações a alguns funcionários, localizei (na parte exterior da Fnac) onde estava a fila prá se pegar uma das 100 senhas. Comprei uma garrafinha de água mineral e o livro, fui ao banheiro e me posicionei ainda no início da fila.
O referido livro era esse aí do lado, chamado "Paralamas do Sucesso" que através de fotos de Mauricio Valladares faz uma densa cobertura da carreira da banda. Comecei à folhear o livro e através daquelas imagens, fiz uma pequena viagem pela minha vida. As fotos do início da carreira me lembraram uma cena em que eu criança na escola, cantava com a professora e meus coleguinhas de alfabetização "Entrei de gaiato num navio/ Entrei, entrei, entrei pelo cano"(Melô do marinheiro) enquanto a pró fazia e nos ensinava fazer barquinhos de papel. Imagens (e lembranças) depois, fui transportada quando já adolescente ficava na piscina do prédio com o som da vizinha tocando "Uma brasileira". Combinação perfeita! Um dos melhores (o melhor talvez, concorrência fortíssima) shows que assistir com certeza foi de Paralamas em 99. Foi maravilhoso e voltei pra casa com minha camisa branca tingida de pink (era a cor da moda) das camisas de outras pessoas que estavam ao meu reddor naquele show. E os clipes? Quando passava na MTV "Ela disse adeus" eu parava tudo pra ir ver. Quando soube do acidente de ultra-leve de Herbert, meu chão fugiu por longos segundos.
Eu não sou A maior fã da banda, mas eu gosto muito mesmo! Definitivamente faz parte da trilha sonora da minha vida. Vários momentos (que pra o post não ficar longo ou pq eram beeem pessoais não expus aqui) foram ao som de músicas do Paralamas. Será que existe quem não goste, quem odeie os Paralamas?
Por isso que quando soube que justo na semana que estaria de férias em São Paulo haveria uma sessão de autógrafos da banda, decidir imediatamente que iria!
Além do fator Paralamas, havia o fator Maurício Valladares, o querido Mauval! Você nunca ouviu falar dele? Até ano passado, eu também não. Até que um belo dia, soube que Rodrigo Amarante (Los Hermanos, minha doença) participaria numa terça ao vivo de um programa de rádio do Rio, mas que (A-hãn!!!) poderia ser ouvido pelo site da rádio. O tal programa de rádio era o RoNca_RoNca , a emissora era a OiFm e o apresentador era Mauricio_Valladares. Alguma coisa ali naquele programa (não saberia bem dizer o que) me fez na terça seguinte de novo ouvir (sempre pela net) e não só ouvir, como também enviar mensagens pelo site, já que estava na frente do computador mesmo! E me viciei no programa!!! No RoNquinha não se ouve as músicas da modinha atual. Sons antigaços, atuais e de lugares longíquos ou bandas desconhecidas têm o mesmo espaço na programação. De repente vi que havia vida (e ótimas músicas) fora do do Disk MTV e do repertório da Malhação (hihihi), com informação, com humor... Uma maravilha! De tanto participar e ser de uma cidade que não tem a OiFm no dial, acabei nomeada Representante Oficial do RoNquinha em Salvador. Conhece-lo seria o máximo!!!
Após 2 horas de fila no frio, pegar a senha 8, ouvir o grupo da frente falar mais ou menos mal dos Los Hermanos, ver Mauval e toda sem graça ir falar com ele, entrar finalmente na Fnac, mas pelo arranjo ficar no fundo, não conseguindo ver o showzinho dos Paralamas, ganhar o manto do Ronquinha das mãos de Mauval, ficar mais sem graça ainda de falar ele, tirar vááááárias fotos tremidas (a única que se salvou foi essa aí de Bi Ribeiro que tá ao lado), finalmente resolver filmar (detalhe, minha câmera não capta audio) e ser entrevistada por um tal de "Xupla" de um programa aê... finalmente chegou a minha vez de ter meu livro autografado por aquelas figuras queridas!!!
Mauval foi um fofo, escreveu um textinho que me deixou (Oh, vida! De novo?) sem graça total! Ainda falou pro Bi e Barone que eu era a Representante de Salvador. Falei um moooonte de bobagem (que só de me lembrar me dá uma vergonhinha), tirei foto tremidona com Mauval, filmei os caras (sem audio) , implorei que a banda faça logo um show em SSA e saí de lá felizona da vida! Sorrizão escancarado no rosto! Botei meu livro na sacola e fui flutuando pro hotel.
Emocionadíssima cheguei ao quarto de hotel e tive uma má surpresa que quase me faz cair dura no chão: a garrafinha de água que tbm tava na sacola tava vazando agua e esta fez estrago irreparável: Apagou quase que completamente a dedicatória e autógrafo de Maurício Valladares... Já os autografos das Paralamas estavam intactos! Da esquerda é de Barone, da parte superior direita é de Bi e embaixo, com caneta mais forte de Herbert. Vão-se as fotos e os autógrafos, fica a emoção do momento registrado em minha mente!