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sábado, 23 de outubro de 2010
Óia a cobra!
domingo, 17 de janeiro de 2010
Monólogo do elevador
Em plena madrugada encontrei uma senhora de frente pro elevador de serviço olhando muito entretidamente para o mural de avisos do condomínio.
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Você acredita que eu acordei de repente com um pressentimento que tinha outro apartamento melhor no mural? Desci que nem escovei os dentes. E não é que tinha? Já anotei aqui, dois: um no bloco A e outro aqui, só que no poente.
Só não sei se minha nora vai querer. Mas ela não tem que ter querer, né? O marido decide! Ela tem depressão, toma uns remédios.
Nunca te vi aqui. Eu já moro aqui há dois anos e acho bom. Eu morava em Brotas. É uma zoadeira, uma confusão, que não tem fim. Meu filho mora na Amaralina há 13 anos. Desde que minha neta Rochele nasceu.
Aqui será bom prá minhas netinhas. Parece que aqui tem uma juventude saudável, né? E aqui é perto da Igreja. Sempre é bom estar perto de Deus.
Olha só, chegou no meu andar! Mocinha, você é muito simpática! Espero que a gente converse outras vezes. Boa noite.
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Ainda bem que ela mora no segundo andar. Tenho até medo do que eu saberia caso ela morasse no décimo.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Cueca colorida
Esse é o relato de um fato pitoresco que realmente ocorreu. Prá preservar os envolvidos, mudei o nome de todos.
Quando soube que eu iria me atrasar pro nosso encontro, Eveline resolveu dar uma volta pelo shopping, indo parar numa loja de departamentos.
Começou olhando a seção feminina, passou pelos acessórios, resolveu ir à seção de calçados... Quando viu, já estava na seção masculina. Mais especificamente entre as bermudas esportivas. E foi inevitável pensar em Jaílson.
- Alô.
- É Jaílson?
- Sim.
- É Eveline. Tudo bem?
- Beleza! O que você manda, querida?
- É que eu estava aqui pensando em você e como estou na seção masculina de uma loja, gostaria de saber o que posso te dar de presente.
- Um presente?
-Ah, e também porque essa semana foi o dia dos professores, não foi?
- É! É sim! hehehehe
- Então! O que você quer que ganhar?
- Uma cueca. – e começou a rir
- Uma cueca?
- É! Uma cueca colorida.- ainda dando risada.
- Huuuum! Deixa eu ver que tô até perto de onde tão as cuecas... Deixa eu ver... Aqui tem uma cor de abóbora.
- Tem cor de abóbora? Mas é só cor de abóbora ou tem mais cores nela?
- Bem... tem a barra do elástico preta, mas de resto é cor de abóbora.
-Ah! É que eu gosto de cueca muito mais colorida. – segundo Eve, ai que ele quase explodiu na risada
- Ah! Mais colorida!
- Hum-rum. Muito mais colorida.
- Tá bom! Vou procurar uma cueca bem colorida prá te dar, então.
- Certo. Cheiro, querida!
- Um beijo.
Eu achei muito estranho quando ela me contou. Ele podia ter pedido uma camisa, uma bermuda, ou até nada. Mas ele pediu cueca, o que seria bom! Mas a cueca teria que ser colorida, o que eu suspeitava que não era tão bom assim.
Das duas, uma: Jaílson era gay ou não queria nada com Eveline. Porém minha amiga tava no céu, achando que o gato já tava na dela. E eu achando essa história muito, mas muito estranha.
- Essa é boa, Van! Você é professora, é? Quer presente? – ao meu aceno de afirmativo- Então eu te pago um chope e você também me paga um, já que eu também sou professora.
- Eu preferia uma calcinha colorida! – disse, já entre risadas.
- Você realmente vai dar a tal cueca? – me surpreendi.
- Eu prometi e vou dar. Além do mais, quero ver no que isso vai dar! – falou com uma voz cheia de segundas, terceiras e quartas intenções.
- Ou se você vai conseguir dar. Mulher, mulher...
- Eu posso pecar por várias coisas, mas não por não tentar, né? Vamos, me ajuda a procurar!
Descobri então o praticamente monocromático mundo das cuecas. O fenômeno que já havia percebido nas cores dos carros, se repetia ali: de início só vi cuecas brancas, pretas e cinzas. Procurando com atenção vi um conjunto do tipo: “leve 3, pague
E o pior era a vontade de falar prá ela que suspeitava que o cara não tinha exatamente um gosto excêntrico prá roupas íntimas. Ele era gay, mesmo. Estava parecendo um nó na garganta.
Acabei falando:
- Eve, já pensou que ele pode ter falado “cueca colorida” como uma forma de metáfora?
- Metáfora?
- É! Eu acho que ele quis te dizer que é..
- O que? Bicha? Vanessa! Muito me admira você! – me repreendeu.
- Ouxe, por que?
- Preconceituosa, desse jeito! Só por que ele é professor de crianças? Acha que por isso ele é gay?
-Não. Eu acho que ele pode ser gay, ou seja, é uma possibilidade. E é por causa do que ele te falou e não porque ele é professor. Ele te disse que quer uma cueca muito, muito, muito colorida. Você acha que ele tava falando de roupa íntima?
- E cueca é o que?
- Pode ser um homem, não pode não? E colorida pode significar um gay.
Dessa vez, eu quem não falei nada.
Na vida real, nem sempre os mistérios são desvendados. Esse fato ocorreu em outubro de 2008 e até hoje me pergunto se afinal o cara é gay ou tem um gosto estranho prá cuecas. Só sei que até hoje Eveline tem a tal cueca numa embalagem de laços vermelhos.
E você? O que acha?
sábado, 12 de julho de 2008
Questão de roupa.
domingo, 6 de julho de 2008
"Você JÁ tem 28 anos?!"
Entrada de uma casa de shows às 16 h de ontem. quinta-feira, 3 de julho de 2008
A chapinha.
Os banheiros nos grandes shoppings estão cada vez melhores. Além de espaçosos, com torneiras, saboneteiras e secador de mãos "inteligentes", cheios de espelhos, estão também muito confortáveis! Com puffs muito macios, o que eu acho muito bom, muitas vezes numa área entre a entrada do banheiro e as pias. E foi num puff desses que me sentei prá esperar minha amiga terminar... o que ela estava fazendo. No outro puff, já estava uma mulher de cerca de 25 anos, muito bem vestida e maquiada, de frente pro espelho que estava à uns 30 cm dela dividindo o cabelo em mini-coques e prendendo com piranhas bem pequenas. Até que eu estava achando bem interessante. Será que era uma nova moda?
Quando a mulher só estava com a parte debaixo do cabelo solta, tirou um frasco de creme capilar da bolsa e passou na parte solta. Depois, como se fosse a coisa mais normal do mundo, tirou uma chapinha de sua enorme bolsa, plugou-a numa tomada (na qual eu ainda não havia percebido a existência, apesar de semanalmente "frequentar" aquele banheiro) e começou a alisar o cabelo. Nessa hora, minha amiga apareceu e fez um gesto para irmos. Mas eu apontei prá outra mulher e puxei-a para sentar no puff, o que ela fez sem resistência.
Eu queria ver até onde essa cena iria. Como uma pessoa faz chapinha em um banheiro de shopping? Tudo bem que posso não compreender a real necessidade de andar sempre com o cabelo teso de tão reto, afinal, meu cabelo é naturalmente liso e sem volume. Mas a mulher já estava com o cabelo liso, provavelmente de escova. Realmente já tava meio volumoso... Mas, não podia esperar até chegar em casa? Será que é normal andar com uma chapinha na bolsa e eu não sei?
Todas que entravam e saiam do banheiro davam discretos olhares para a mulher fazendo chapinha. Minha amiga, mesmo sem me falar nada, visivelmente tava achando graça da cena. A mulher acabou percebendo e nos encarou pelo espelho. Sim, nós estávamos sendo caras-de-pau de ficar assistindo a chapinha dela, mas ela não estava sendo mais cara-de-pau ainda?
A funcionária da limpeza olhava a mulher com desconforto, até que finalmente saiu do banheiro. Eu pensei: "Xi! Vai chamar a segurança do shopping!" Mas a mulher se percebeu, se fez de rogada e prosseguiu mecha por mecha: soltando, passando o creme e passando repetidas vezes a chapinha. Confesso que me deu uma aflição ver uma fumaçinha sair do cabelo sendo enchapado tantas vez. E foi dito e certo! Menos de 2 minutos da saida da funcionária, ela retornou com uma segurança feminina. Ela suspirou e foi prá abordagem. A conversa foi mais ou menos assim:
- Boa tarde, senhora! Sinto incomodar, mas não é permitido a utilização das tomadas desse shopping para a utilização de procedimentos embelezadores, tais como alisamento.
Pensei: "Hum! Falou bonito!" Já minha amiga quase não conteve a risada, tapando a boca com a mão.
- Mas minha senhora, eu não tô alisando o cabelo! Tô apenas tirando um pouco do frizz.
- Eu compreendo. Porém, não poderei permitir que continue, pois não é permitido. Por isso, peço a bondade de recolher seu material.
- Mas eu vou encontrar meu pretê daqui 15 minutos e tenho que estar linda. Por favor...
-Infelizmente, não.
