Desde 2006 servindo algumas lasanhas e muitas abobrinhas.

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Mal-assombrado


Seu coração disparava quando sua mãe a conduzia pela calçada em frente daquele casarão. Abandonado, sua fachada descascada estava preta e via-se os pátios externos tomados pelo mato.

Mas, em sua fértil imaginação, não se encontrava desabitada. Era mal-assombrado. Aquele era o lar de todas as bruxas, monstros e fantasmas das histórias que ouvia da professora, da mãe e na TV.

Mesmo já adulta, não podia deixar de pensar naquele casarão quando lia alguns contos de Edgar Allan Poe.
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Estava em plena época de guerra contra a acne.

Sua melhor-amiga-para-sempre não apareceu no playground durante todo o fim-de-semana. Resolveu interfonar. Nem foi preciso, o porteiro lhe contou do falecimento do pai e da viagem de urgência da família.

Algumas vezes foi fazer companhia a sua amiga, já que esta não via mais graça em descer. Não se incomodava com as lágrimas, nem com as velas ou as janelas sempre fechadas e cortinas cerradas o que deixava o ar morno e úmido. O que a aflingia eram os sons de passos quando estavam todos quietos, as luzes que se acendiam ou apagavam sozinhas e aquela sensação de estar sendo observada por mais alguém.

Sempre tinha a impressão que se voltasse àquele apartamento, ia ver um fantasma.

Foi deixando de ir.

A amiga se mudou após alguns meses.

Nunca mais se falaram.
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Casarões abandonados e lares onde um dos moradores acabou de falecer são alguns dos lugares esperados para se ver fantasmas.

Mas em um homem? Aquilo foi inesperado. Mas ele era definitivamente um homem mal-assombrado.

Assombrado por um relacionamento que ainda não havia acabado em seu coração e sentimentos, por mais que dissesse o contrário.

Dessa vez, não fugiu. Escolheu enfrentar.

Nadou contra sua própria correnteza para tentar descobrir os peixes do fundo das águas.Emprestou seu ouvido, empregou sua paciência e tempo. Se enganou, sabendo que estava sendo enganada por si própria. Ela queria se enganar!

Mas sempre a assombração aparecia, arrastando correntes, derrubando copos, trazendo ventanias e confusão ao seu mundo.

Ele era um homem mal-assombrado.
Ela desejava ser um fantasma.

sábado, 23 de outubro de 2010

Óia a cobra!

Estou acostumada, ao chegar à escola, ver as crianças correndo, gritando e espalhadas por toda a frente da escola. Porém, ontem, estavam concentradas numa rodinha e quietas.
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- Pró, venha ver que legal!
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Não achei, nem um pouco, legal aquela cobra enoooooorme no meio de tantas crianças. E muito menos delas rirem do grito que dei.
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-Calma, pró! Não é perigosa, não.
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Se não era perigosa, então por que um menino segurava o rabo e outro usava uma pá para afastá-la das pessoas?
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Tirei foto e entrei correndo na escola.
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Próximo a escola está sendo realizado há alguns meses uma mega obra de infra-estrutura: drenagem de um riozinho que virou depósito de lixo e foco de dengue, contenção de encosta e construção de conjunto habitacional para relocar as famílias que estão na encosta. Além disso, serão construídos equipamentos como praças e quadras. Essa obra realmente é necessária para a melhoria de vida de várias pessoas.
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Desde então, várias cobras apareceram. Elas estavam quietinhas no canto delas, então vieram as máquinas e pessoas para tirar-lhes a paz. O velho dilema "homem X natureza" novamente se estabelece!
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- Quero ir lá ver.
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Acompanhei a minha colega, professora do Pré. A cobra já estava nas mãos de um pai de aluno. Ai, que coragem!
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- É uma jibóia.
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-Essa cobra não é venenosa, não. Ela mata por estrangulamento. Ela só vai se enrolando, se enrolando na vítima até matar.
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Ah! Por que não disseram antes? A cobra era SÓ uma jibóia e SÓ mata por estrangulamento. Se tivessem me dito isso antes... continuaria com medo do mesmo jeito!
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Prá completar, uma historinha que uma mãe me contou um pouco mais tarde:
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Perto da escola passa uma via que liga dois pontos da cidade. Antes, era mata com rio e tudo. Na frente, morava uma senhora e seus filhos.
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Uma noite, ela chegou muito cansada e deitou no sofá para assistir novela, onde caiu no sono. De repente, ela sentiu uma forte pressão em toda perna esquerda.
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Quando abriu os olhos, viu uma cobra que havia engolido a perna e tentava abrir mais a boca prá abocanhar a parte do quadril. (Gente, eu tô vendendo o peixe do jeito que me contaram.)
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Ela gritou e a sorte que os filhos estavam na frente da casa e vieram acudir. Com um facão eles cortaram a cobra pelas laterais, livrando a perna da senhora.
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Não quero nem imaginar a cena! Credo!





domingo, 15 de agosto de 2010

Souvenirs ...

... me fazem sentir saudade de coisas que nunca vivi.





Vai ver é que o motivo é que chamo também de "lembrança". Eu sei que o significado é "a lembrança de quem lá esteve" ou "lá, lembraram de mim". Mas ainda assim me dá um sentimento de nostalgia ...