Entrada de uma casa de shows às 16 h de ontem. - Boa tarde!
- Boa... Qual é o seu nome?
- Vanessa.
Depois de escrever meu nome na comanda, a mulher ficou me olhando. Uns cinco segundos depois, pergunto:
- Algum problema?
- Qual a sua idade?
- A minha idade?
- Eu preciso me certificar que você já é maior de idade pra pegar bebidas alcóolicas.
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Meu coração até acelerou! Pensei: "A mulher acha que eu sou novinha!" Sabem a quanto tempo isso não me acontece? Me deu vontade de pular, mas eu só sorri.
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- Vou te mostrar a minha identidade.
Quando a mulher pegou a identidade disse com uma cara de reprovação e um tom de voz de surpresa:
- Você já tem 28 anos?!
E me entregou a comanda, a identidade e uma fitinha do Bonfim verde,fazendo as vezes de "liberação".
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Como tudo na vida, eu poderia ter encarado a fala dela de duas formas:
A) Ela achou que aparento menos do que a idade que eu tenho.
B) Ela me achou uma velha.
Eu encarei mais pela alternativa B, confesso. Deu vontade de perguntar: "Como assim, já? Tá me chamando de velha é?" Mas me contive.
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Entrei derrotada e com o eco ainda do "já tem 28" na cabeça. Ao primeiro conhecido que encontrei e me perguntou como eu estava, respondi:
- Com já 28 anos!
Mas acho que o cara nem percebeu, o que foi bom! Vai que ele dissesse algo do tipo: "Mas, já?"
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Mas, vou logo avisando: eu não tenho problema em ter 28 anos. E nem tenho a menor vontade de voltar àos meus 18 anos!!! (Bate na madeira 3X.) Até por que, mais nova não teria conquistado tantas coisas como já conquistei em minha vida. Só não consigo digerir as pessoas acharem que ter 28 anos é ser velha. Pode não ter sido o caso, mas já aconteceu antes.
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Eu sei que a mulher, se me achou mesmo velha, não foi no sentido de eu ser "coroa", ou pelo menos espero. Mas, sim, no sentido de estar velha prá estar num show em horário de matinê, em que o público têm em média 18 a 20 anos. Mas sim, e daí? Eu bem sei que se espera programas bem mais "adultos", prá não dizer família de uma pessoa pré-balzaquiana do que estar num show de bandas de rock alternativo (prá não chamar de ainda desconhecidas).
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Talvez a fala dela só reflita algo que eu penso sobre mim mesma, apesar de não querer assumir. Senão, a fala dela não teria criado eco em minha cabeça. É um caso prá fazer uma auto-análise...
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O bom dessa historia toda é que parece que eu não aparento a idade que tenho. Por que uma coisa é se orgulhar da idade que tem. Outra é, depois de certa idade, aparentar ela ou até mais.


