Desde 2006 servindo algumas lasanhas e muitas abobrinhas.

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domingo, 6 de julho de 2008

"Você JÁ tem 28 anos?!"

Entrada de uma casa de shows às 16 h de ontem.

- Boa tarde!
- Boa... Qual é o seu nome?
- Vanessa.
Depois de escrever meu nome na comanda, a mulher ficou me olhando. Uns cinco segundos depois, pergunto:
- Algum problema?
- Qual a sua idade?
- A minha idade?
- Eu preciso me certificar que você já é maior de idade pra pegar bebidas alcóolicas.
*
Meu coração até acelerou! Pensei: "A mulher acha que eu sou novinha!" Sabem a quanto tempo isso não me acontece? Me deu vontade de pular, mas eu só sorri.
*
- Vou te mostrar a minha identidade.
Quando a mulher pegou a identidade disse com uma cara de reprovação e um tom de voz de surpresa:
- Você já tem 28 anos?!
E me entregou a comanda, a identidade e uma fitinha do Bonfim verde,fazendo as vezes de "liberação".
*
Como tudo na vida, eu poderia ter encarado a fala dela de duas formas:
A) Ela achou que aparento menos do que a idade que eu tenho.
B) Ela me achou uma velha.
Eu encarei mais pela alternativa B, confesso. Deu vontade de perguntar: "Como assim, ? Tá me chamando de velha é?" Mas me contive.
*
Entrei derrotada e com o eco ainda do "já tem 28" na cabeça. Ao primeiro conhecido que encontrei e me perguntou como eu estava, respondi:
- Com já 28 anos!
Mas acho que o cara nem percebeu, o que foi bom! Vai que ele dissesse algo do tipo: "Mas, já?"
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Mas, vou logo avisando: eu não tenho problema em ter 28 anos. E nem tenho a menor vontade de voltar àos meus 18 anos!!! (Bate na madeira 3X.) Até por que, mais nova não teria conquistado tantas coisas como já conquistei em minha vida. Só não consigo digerir as pessoas acharem que ter 28 anos é ser velha. Pode não ter sido o caso, mas já aconteceu antes.
*
Eu sei que a mulher, se me achou mesmo velha, não foi no sentido de eu ser "coroa", ou pelo menos espero. Mas, sim, no sentido de estar velha prá estar num show em horário de matinê, em que o público têm em média 18 a 20 anos. Mas sim, e daí? Eu bem sei que se espera programas bem mais "adultos", prá não dizer família de uma pessoa pré-balzaquiana do que estar num show de bandas de rock alternativo (prá não chamar de ainda desconhecidas).
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Talvez a fala dela só reflita algo que eu penso sobre mim mesma, apesar de não querer assumir. Senão, a fala dela não teria criado eco em minha cabeça. É um caso prá fazer uma auto-análise...
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O bom dessa historia toda é que parece que eu não aparento a idade que tenho. Por que uma coisa é se orgulhar da idade que tem. Outra é, depois de certa idade, aparentar ela ou até mais.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

A chapinha.

Os banheiros nos grandes shoppings estão cada vez melhores. Além de espaçosos, com torneiras, saboneteiras e secador de mãos "inteligentes", cheios de espelhos, estão também muito confortáveis! Com puffs muito macios, o que eu acho muito bom, muitas vezes numa área entre a entrada do banheiro e as pias.

E foi num puff desses que me sentei prá esperar minha amiga terminar... o que ela estava fazendo. No outro puff, já estava uma mulher de cerca de 25 anos, muito bem vestida e maquiada, de frente pro espelho que estava à uns 30 cm dela dividindo o cabelo em mini-coques e prendendo com piranhas bem pequenas. Até que eu estava achando bem interessante. Será que era uma nova moda?

Quando a mulher só estava com a parte debaixo do cabelo solta, tirou um frasco de creme capilar da bolsa e passou na parte solta. Depois, como se fosse a coisa mais normal do mundo, tirou uma chapinha de sua enorme bolsa, plugou-a numa tomada (na qual eu ainda não havia percebido a existência, apesar de semanalmente "frequentar" aquele banheiro) e começou a alisar o cabelo. Nessa hora, minha amiga apareceu e fez um gesto para irmos. Mas eu apontei prá outra mulher e puxei-a para sentar no puff, o que ela fez sem resistência.

Eu queria ver até onde essa cena iria. Como uma pessoa faz chapinha em um banheiro de shopping? Tudo bem que posso não compreender a real necessidade de andar sempre com o cabelo teso de tão reto, afinal, meu cabelo é naturalmente liso e sem volume. Mas a mulher já estava com o cabelo liso, provavelmente de escova. Realmente já tava meio volumoso... Mas, não podia esperar até chegar em casa? Será que é normal andar com uma chapinha na bolsa e eu não sei?

Todas que entravam e saiam do banheiro davam discretos olhares para a mulher fazendo chapinha. Minha amiga, mesmo sem me falar nada, visivelmente tava achando graça da cena. A mulher acabou percebendo e nos encarou pelo espelho. Sim, nós estávamos sendo caras-de-pau de ficar assistindo a chapinha dela, mas ela não estava sendo mais cara-de-pau ainda?

A funcionária da limpeza olhava a mulher com desconforto, até que finalmente saiu do banheiro. Eu pensei: "Xi! Vai chamar a segurança do shopping!" Mas a mulher se percebeu, se fez de rogada e prosseguiu mecha por mecha: soltando, passando o creme e passando repetidas vezes a chapinha. Confesso que me deu uma aflição ver uma fumaçinha sair do cabelo sendo enchapado tantas vez. E foi dito e certo! Menos de 2 minutos da saida da funcionária, ela retornou com uma segurança feminina. Ela suspirou e foi prá abordagem. A conversa foi mais ou menos assim:

- Boa tarde, senhora! Sinto incomodar, mas não é permitido a utilização das tomadas desse shopping para a utilização de procedimentos embelezadores, tais como alisamento.

Pensei: "Hum! Falou bonito!" Já minha amiga quase não conteve a risada, tapando a boca com a mão.

- Mas minha senhora, eu não tô alisando o cabelo! Tô apenas tirando um pouco do frizz.

- Eu compreendo. Porém, não poderei permitir que continue, pois não é permitido. Por isso, peço a bondade de recolher seu material.

- Mas eu vou encontrar meu pretê daqui 15 minutos e tenho que estar linda. Por favor...

-Infelizmente, não.
Percebendo que não conseguiria dobrar a segurança, a mulher entre muxoxos de "Faltava pouco prá terminar" e "Como vou aparecer com o cabelo metade liso, metade encaracolado?" recolocou a chapinha na bolsa e foi soltando o cabelo que estava preso. Depois saiu, derrotada, sendo seguida pela segurança. E com o cabelo visivelmente metade lisão/ brilhante e metade meio liso/ opaco.
Espetáculo terminado, saímos também. Confesso que senti pena da mulher. Por mim, teriam deixado terminar logo a chapinha prá ela encontrar com o tal pretê. Depois de tal vexame, ela merecia! O que a gente não tem que passar pra agradar esses homens...
Claro que se tornou o assunto principal entre eu e minha amiga. Ficamos imaginando o que ela faria então... Será que ela iria daquele jeito mesmo encontrar o pretê? Será que ela iria tentar terminar num outro banheiro? Será que ela iria prá casa prá o cara não vê-la sem chapinha?
Pois a resposta descobrimos cerca de três horas depois, na saída do cinema. Lá estava ela, cabelo lisíssimo e brilhantérrimo, numa mesa do fast-food, conversando olho-no-olho com o tal pretê.

Textos que vem no e-mail, parte 1.


Aos 3 anos ela olha pra si mesma e vê uma rainha.
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Aos 8 anos ela olha pra si mesma e vê Cinderela.
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Aos 15 anos ela olha pra si mesma, vê uma bruxa e diz:"Mãe, eu não posso ir pra escola desse jeito!"
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Aos 20 anos ela olha pra si mesma e se vê "muitogorda/muito magra, muito alta/muito baixa, com cabelo muito liso/muito encaracolado", mas decide quevai sair assim mesmo...
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Aos 30 anos ela olha pra si mesma e se vê "muitogorda/muito magra, muito alta/muito baixa, com cabelo muito liso/muito encaracolado", mas decide queagora não há tempo para consertar essas coisas.Então, sai assim mesmo..
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Aos 40 anos ela olha pra si mesma e se vê "muitogorda/muito magra, muito alta/muito baixa, com cabelo muito liso/muito encaracolado", mas diz: "sou uma boa pessoa" e sai mesmo assim...
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Aos 50 anos ela olha pra si mesma e se vê como é.Sai e vai para onde ela bem entender...
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Aos 60 anos ela olha pra si mesma e se lembra detodas pessoas que não podem mais se olhar no espelho. Sai de casa e conquista o mundo...
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Aos 70 anos ela olha pra si mesma e vê sabedoria,risos, habilidades... Sai para o mundo e aproveita a vida...
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Aos 80 anos ela não se importa muito em olhar pra simesma. Simplesmente põe um chapéu violeta e vai se divertir com a vida...
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TALVEZ DEVÊSSEMOS POR AQUELE CHAPÉU VIOLETA MAIS CEDO...
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Como quase todo texto de e-mail, veio com uma autoria duvidosa. No caso, foi atribuído à Mario Quintana. Porém procurei na web e encontrei nada que confirmasse ou não.